Roraimeira: Vozes, traços e cores - Página 13

Página sobre Eliakin Rufino mostrando sua formação como poeta, o reconhecimento do poema Cavalo Selvagem como patrimônio cultural e uma grande caricatura do autor ao lado de um trecho do poema.

Acessibilidade - Pág 13

Transcrição Textual da Audiodescrição:

Contexto
A página 13 dá continuidade à trajetória de Eliakin Rufino, destacando sua produção como poeta e a importância do poema “Cavalo Selvagem” para a cultura de Roraima.

Em uma composição predominantemente em preto, branco e tons de cinza, a página apresenta a origem da relação de Eliakin com a escrita e a música, a transformação do poema em patrimônio cultural, sua presença no ambiente educacional e, em destaque, o texto integral de “Cavalo Selvagem”.

 

Leitura visual

A página é vertical e tem aparência semelhante a desenhos feitos a lápis e nanquim sobre um fundo claro texturizado.

No canto superior esquerdo, uma pequena caixa apresenta a palavra “Poeta”.

Logo abaixo, o primeiro quadro mostra Eliakin ainda jovem, sentado diante de uma mesa e olhando para sua mãe, Joana Rufino. Ela está de pé e sorridente. Entre os dois aparecem um violão e uma máquina de escrever, apresentados como presentes que influenciariam a trajetória artística do filho.

À direita, ocupando grande parte da metade superior da página, aparece uma caricatura de Eliakin adulto. Ele tem cabelos crespos presos no alto da cabeça, brinco circular e expressão intensa. Uma das mãos está erguida e a outra segura a borda de um grande balão de fala.

Dentro desse balão está o título “Cavalo Selvagem”, seguido pelo poema.

Na região central esquerda, outro quadro mostra, em primeiro plano, um documento com a inscrição “Emenda Constitucional nº 21/2008”. Ao fundo, há uma sessão legislativa com pessoas sentadas em uma bancada e a palavra “APROVADO” destacada em um painel.

Abaixo, um terceiro quadro representa uma sala de aula. Uma professora está diante dos alunos e, no quadro, aparecem as expressões “Pertencimento”, “Identidade Cultural”, “Povos Originários” e “Memória de um povo”. Uma estudante segura um livro com o título “Cavalo Selvagem”.

Na base da página, a ilustração se abre para uma paisagem do lavrado. Vários cavalos correm livremente entre vegetação rasteira e buritizeiros. À direita, um cavalo aparece parado e em posição de destaque.

 

Descrição
A página constrói uma narrativa visual sobre a trajetória e o reconhecimento cultural de “Cavalo Selvagem”.

A primeira cena associa a origem artística de Eliakin à figura de sua mãe, Joana Rufino. O violão e a máquina de escrever simbolizam duas vertentes que atravessariam sua trajetória: música e literatura.

Em seguida, a narrativa avança para 2008, quando o poema é tombado pela Constituição Estadual como referencial artístico-cultural de Roraima. A cena da sessão legislativa representa esse reconhecimento institucional.

O quadro seguinte mostra a continuidade desse legado por meio da educação. Professora, estudantes e o livro “Cavalo Selvagem” representam a circulação da obra entre novas gerações.

À direita, Eliakin parece declamar o próprio poema. Sua figura ultrapassa os limites dos quadrinhos e se integra ao grande balão contendo os versos.

Na parte inferior, os cavalos deixam de ser apenas uma referência literal ao título e passam a representar visualmente algumas das ideias centrais do poema: liberdade, campo aberto, movimento e ausência de cercas.

Ao centro do rodapé está o número da página: 13.

 

Leitura dos textos

No alto:

“Poeta”

No primeiro quadro:

“Da mãe, Joana Rufino, Eliakin recebeu dois presentes que mudariam seu destino.”

No quadro seguinte, aparece no documento:

“Emenda Constitucional nº 21/2008”

E a palavra:

“APROVADO”

A legenda informa:

“Em 2008, o poema ‘Cavalo Selvagem’ foi tombado pela Constituição Estadual como referencial artístico-cultural de Roraima.”

No quadro da sala de aula:

“Escrito em 1989, o poema tornou-se um símbolo da identidade cultural de Roraima. Sua força ultrapassou as páginas, inspirando diferentes gerações de leitores, artistas e educadores.”

No quadro aparecem também:

“Pertencimento
Identidade Cultural
Povos Originários
Memória de um povo”

Na parte inferior:

“A obra virou livro, ampliando seu alcance e preservando seu legado.”

No grande balão à direita:

“Cavalo Selvagem”

“eu sou cavalo selvagem
não sei o peso da sela
não tenho freio nos beiços
nem cabresto
nem marca de ferro quente
não tenho crina cortada
não sou bicho de curral
eu sou cavalo selvagem
meu pasto é o campo sem fim
para mim não existe cerca
sigo somente o capim
eu sou cavalo selvagem
selvagem é minha alegria
de ser livre noite e dia
selvagem é só apelido
meu nome é mesmo cavalo
cavalo solto no pasto
veloz carreira que faço
lavrado todo atravesso
caminhos no campo eu traço
eu corro livre galope
transformo galope em verso
eu sou cavalo selvagem
sou agarranhão neste campo
eu sou rebelde alazão
sou personagem de lendas
sou conversa nas fazendas
sou filho livre do chão
eu sou cavalo selvagem
meu mundo é a imensidão”

Fim da página.

 

Curiosidades/Contexto Histórico

“Cavalo Selvagem”, escrito por Eliakin Rufino em 1989, utiliza a figura do cavalo livre como elemento poético associado ao território e à paisagem de Roraima.

Expressões presentes no poema, como “campo sem fim”, “lavrado”, “fazendas” e “imensidão”, aproximam o cavalo da paisagem aberta característica do estado.

O lavrado roraimense, representado na parte inferior da página, é uma extensa formação de campos e savanas que constitui uma das paisagens mais características de Roraima. Os buritizeiros presentes ao fundo também são elementos recorrentes desse ambiente.

A página registra ainda o reconhecimento institucional de “Cavalo Selvagem”. Em 2008, por meio da Emenda Constitucional nº 21, o poema passou a constar na Constituição do Estado de Roraima, tombado como “referencial artístico-cultural”. O reconhecimento reforça a importância adquirida pela obra na representação da identidade e da produção cultural roraimense.

A representação do poema em uma sala de aula mostra outra dimensão de seu legado: a possibilidade de trabalhar, por meio da literatura, temas relacionados ao pertencimento, à identidade cultural, à memória e à relação com o território.