Roraimeira: Vozes, traços e cores - Página 18

Página sobre Neuber Uchôa, mostrando sua infância nos programas de auditório, aprendizado do violão, passagem pelo Rio de Janeiro e relação com sua mãe e seus filhos.

Acessibilidade - Pág 18

Transcrição Textual da Audiodescrição:

Contexto
A página 18 apresenta momentos da trajetória pessoal e artística de Neuber Uchôa, desde o contato com a música ainda na infância até a constituição de sua família.

A narrativa mostra Neuber cantando em programas de auditório quando criança, seu afastamento dos palcos durante a adolescência, a descoberta do violão, um período de aprendizado no Rio de Janeiro e o retorno a Boa Vista.

Na parte final, a página destaca a importância da família em sua trajetória e a relação de amizade, respeito e paixão pela arte construída entre Neuber, sua mãe e seus filhos.

 

Leitura visual

A página é vertical e predominantemente ilustrada em preto, branco e tons de cinza, com aparência de desenhos feitos a lápis e nanquim. Apenas uma caricatura de Neuber, na parte inferior esquerda, aparece colorida sobre um círculo amarelo.

A composição é dividida em três momentos: “Início Precoce”, “Tempo de aprendizagem” e “Família”.

No alto, o primeiro quadro mostra uma antiga paisagem urbana de Boa Vista. Em destaque está a fachada do Cine Theatro Boa Vista, com várias pessoas reunidas diante da entrada. Carros, postes, árvores e construções completam a cena.

Ao lado, um segundo quadro representa um programa de auditório. Um homem (Jaber Xaud) segura um microfone diante de uma plateia e apresenta uma criança (Neuber) que está sobre o palco.

Na região central, sob o título “Tempo de aprendizagem”, uma sequência mostra Neuber adolescente, em um dos quadros, uma mão diante de um antigo microfone como se estivesse o afastando, em seguida, sentado tocando violão.

Um balão sobre a cena indica seu aprendizado inicial no instrumento.

À direita, Neuber aparece de costas, sentado à mesa em um ambiente no Rio de Janeiro. Pela janela é possível reconhecer uma paisagem associada à cidade. Na parede há três pequenos retratos identificados como Gil, Caetano e Chico, referências aos músicos Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque.

A metade inferior é dedicada à família.

À esquerda, uma imagem semelhante a uma fotografia mostra Neuber adulto sorrindo enquanto recebe um abraço de sua mãe, Suely Galvão, que aparece atrás dele.

À direita há um grande retrato familiar. Neuber está no centro, cercado pelos filhos. Todos aparecem próximos uns dos outros e sorridentes.

No canto inferior esquerdo, uma caricatura colorida de Neuber mostra o artista com cabelos e barba grisalhos, óculos e expressão sorridente. Um balão de fala sai da caricatura.

Ao centro do rodapé está o número da página: 18.

 

Descrição
A página utiliza uma sequência cronológica para mostrar que a relação de Neuber Uchôa com a música começou muito cedo.

O Cine Theatro Boa Vista e a cena do programa de auditório recuperam o ambiente cultural de uma Boa Vista de décadas passadas. Ainda criança, Neuber aparece sendo apresentado ao público.

A narrativa avança para a adolescência. Aos 13 anos, a mudança da voz provoca seu afastamento dos palcos, mas a música permanece presente por meio da descoberta do violão. O aprendizado de poucos acordes é representado de maneira descontraída, indicando o início de uma nova fase.

A passagem pelo Rio de Janeiro representa um período de amadurecimento artístico. Os retratos de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque tornam visíveis as referências musicais citadas pelo próprio Neuber.

A parte inferior muda o foco da carreira para as relações familiares. O abraço de sua mãe representa o apoio recebido no retorno a Boa Vista.

O grande retrato familiar amplia essa ideia e apresenta a arte como elemento que atravessa gerações. Neuber aparece cercado pelos filhos, enquanto os textos destacam que todos permanecem ligados à cultura de diferentes maneiras.

A frase da caricatura — “Sou o melhor amigo dos meus filhos” — encerra a página colocando a amizade como elemento central da relação familiar.

 

Leitura dos textos

No alto:

“Início Precoce”

“Neuber tinha três anos de idade quando começou a cantar em programas de auditório, populares na época de ouro do rádio.”

No primeiro quadro:

“No Programa Jaber Xaud no antigo Cine Theatro Boa Vista na Av. Jaime Brasil.”

No quadro seguinte, o apresentador anuncia:

“COM VOCÊS O PEQUENO NEUBER.”

A legenda informa:

“Na antiga Rádio Roraima ao lado da igrejinha de São Sebastião.”

Na segunda parte:

“Tempo de aprendizagem”

“Aos 13 anos, a mudança da voz o afasta dos palcos.”

“Apaixona-se pelo violão...”

No balão de Neuber:

“APRENDI TRÊS ACORDES, E COMPUS ‘ARRASTA-TE’.”

No quadro à direita:

“Neuber passa um período no Rio de Janeiro.”

No balão:

“NO RIO, ME INSPIREI EM GIL, CAETANO E CHICO.”

Na parte inferior:

“Família”

“Retorna para Boa Vista e com o apoio da sua família, volta a cantar.”

Junto à imagem de sua mãe:

“A mãe Suely Galvão.”

Sobre o retrato familiar:

“Mais que um legado artístico, Neuber fez da amizade, do respeito e da paixão pela arte os alicerces de sua família.”

Mais abaixo:

“Hoje, todos os filhos seguem ligados à cultura, seja como artistas, produtores ou parceiros de projetos.”

Os nomes apresentados são:

“Carolina, Neuber Jr, Liber, Tauã e Taura.”

No balão ligado à caricatura:

“SOU O MELHOR AMIGO DOS MEUS FILHOS.”

 

Fim da página.

 

Curiosidades/Contexto Histórico

A trajetória de Neuber Uchôa começou de maneira excepcionalmente precoce. Segundo o relato apresentado na HQ, ele tinha apenas três anos de idade quando começou a cantar em programas de auditório.

Os programas de auditório tiveram grande importância durante a chamada época de ouro do rádio brasileiro. Além da transmissão musical, funcionavam como espaços de entretenimento e revelação de artistas locais.

Em Boa Vista, Neuber participou do Programa Jaber Xaud, realizado no antigo Cine Theatro Boa Vista, na Avenida Jaime Brasil, e também cantou na antiga Rádio Roraima, próxima à igreja de São Sebastião. Esses espaços fazem parte da memória da comunicação e da vida cultural da cidade.

A mudança da voz na adolescência provocou uma interrupção temporária em sua trajetória como cantor. A descoberta do violão, entretanto, abriu outro caminho para sua relação com a música: além de intérprete, Neuber passaria a desenvolver sua atividade como compositor.

A passagem pelo Rio de Janeiro também aparece como um momento de aprendizado e ampliação de referências. Neuber cita Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque, três nomes fundamentais da música popular brasileira, como artistas que o inspiraram nesse período.

A última parte da página acrescenta uma dimensão pessoal à trajetória artística. O retorno a Boa Vista é associado ao apoio familiar, enquanto a geração seguinte mantém diferentes vínculos com a cultura.

A presença de sua mãe, Suely Galvão, e posteriormente dos filhos reforça uma ideia que atravessa a página: para Neuber, a trajetória artística não aparece separada da vida familiar. Música, amizade, respeito e convivência tornam-se partes de um mesmo legado.