Roraimeira: Vozes, traços e cores - Página 20

JHQ-Roraimeira-Pag-20

Acessibilidade - Pág 20

Transcrição Textual da Audiodescrição:

Contexto
A página 20 inicia a interpretação visual da canção “Cruviana”, composição de Neuber Uchôa.

Depois de a página anterior apresentar a origem e a importância da música na trajetória do artista, esta página transforma seus versos em ilustração em quadrinhos. A composição aproxima Neuber, povos indígenas, rio, pertencimento e música, enquanto elementos gráficos como notas, pautas e uma grande teia atravessam a página.

A teia ganha especial importância porque dialoga diretamente com os versos “sou parte da teia / da aranha sou par”, utilizando a imagem como metáfora visual de conexão e pertencimento.

A página dá continuidade à trajetória apresentada anteriormente e concentra-se na interpretação visual de “Cruviana”. Os versos são articulados a imagens de território, povos indígenas, rio, música e pertencimento, enquanto a teia funciona como elemento gráfico de ligação entre essas referências.

 

Leitura visual

A página é vertical, colorida e dividida em três grandes áreas.

No alto, à esquerda, aparece o título “Cruviana”, acompanhado por uma grande clave de sol. À direita, uma caixa informa a composição de Neuber Uchôa e a ilustração de Franco Soares.

O primeiro grande quadro ocupa quase toda a parte superior. À esquerda, uma fileira de indígenas participa de uma manifestação cultural coletiva diante de uma grande construção tradicional de cobertura de palha. Ao fundo há vegetação e serras.

À direita desse mesmo quadro aparece um grande retrato de Neuber Uchôa de perfil, olhando para a cena. Ele tem cabelos cacheados e grisalhos, óculos escuros, bigode e barba brancos.

Balões com versos da música ocupam os espaços entre as figuras.

No quadro seguinte, um grande rio atravessa horizontalmente a página. Uma canoa comprida leva três pessoas. Uma delas, na parte traseira, utiliza um remo para conduzir a embarcação.

Na parte inferior esquerda, uma caricatura de corpo inteiro mostra Neuber cantando e tocando um violão amarelo-alaranjado. Ele usa óculos, camisa e calça claras.

Ao lado, um grande quadro apresenta em primeiro plano a mão do músico tocando as cordas de um violão.

Sobre essa imagem surge uma enorme uma enorme teia branca inspirada no traçado das ruas centrais de Boa Vista, formada por linhas que se espalham pelas cordas e ultrapassam os limites do quadro.

Notas, pautas e claves musicais percorrem toda a composição e conectam visualmente as diferentes cenas.

Na base estão o número da página, 20.

 

Descrição
A página transforma os primeiros versos de “Cruviana” em uma composição baseada na ideia de pertencimento.

Neuber surge inicialmente em grande escala, observando uma cena com indígenas. O verso “Que canto pra minha aldeia” aproxima simbolicamente o cantor da comunidade e do território.

Logo depois aparece uma das principais metáforas da canção: “sou parte da teia / da aranha sou par”.

Essa imagem poética é retomada de maneira ainda mais evidente na parte inferior. Enquanto uma mão toca o violão, uma grande teia nasce visualmente das cordas do instrumento e se espalha pela página formando as ruas centrais de Boa Vista. Música e teia passam a ocupar o mesmo espaço gráfico.

O rio introduz outro elemento de ligação. Uma canoa atravessa suas águas enquanto os versos falam do rio que “me banha”.

Na parte inferior, Neuber aparece cantando e tocando violão, fazendo a transição entre as paisagens evocadas pela letra e o próprio compositor.

Assim, a página trabalha simultaneamente com três imagens de conexão: o rio, que atravessa o território; a teia, que une seus diferentes pontos; e a música, que conecta artista, comunidade, memória e lugar.

 

Leitura dos textos

Título:

“Cruviana”

Na caixa superior:

“Composição: Neuber Uchôa
Ilustração: Franco Soares”

Nos balões:

“Muito prazer,
estou aqui pra dizer”

“Que canto pra
minha aldeia, sou
parte da teia...”

“Da aranha
sou par”

Sobre a cena do rio:

“E como o rio que me
banha e que te manha...”

“É branco do
mesmo trigo”

Na parte inferior:

“Eu sou o cio da tribo”

“E posso até
fecundar”

 

Fim da página.

 

Curiosidades/Contexto Histórico

“Cruviana” ocupa lugar de destaque na produção de Neuber Uchôa. Como apresentado na página anterior da HQ, a composição surgiu no contexto do FEMUR, em 1991, e o próprio Neuber a considera sua obra-prima.

Um aspecto importante destacado pelo compositor é o sentimento de pertencimento presente na letra. Em vez de apenas descrever Roraima de maneira externa, o eu lírico se coloca dentro do território e das relações que canta.

A palavra “teia” funciona como uma poderosa metáfora dessa ligação. Uma teia é formada por diferentes fios que, embora sigam direções distintas, permanecem conectados. Na página, essa imagem é ampliada graficamente: a teia parece nascer das próprias cordas do violão, relacionando música, território e pertencimento.

O Rio Branco é uma referência marcante da paisagem de Roraima e de Boa Vista. Ao aproximar o corpo do rio, "o rio que me banha", a letra estabelece uma relação íntima entre indivíduo e paisagem.

Já expressões como “aldeia”, “tribo” e a presença visual de povos indígenas remetem à forte presença dos povos originários na formação histórica e cultural de Roraima.

Neuber Uchôa canta "Cruviana"