Acessibilidade - Pág 25
Transcrição Textual da Audiodescrição:
Contexto
A página 25 encerra a narrativa principal de Roraimeira – Vozes, traços e cores com uma mudança de perspectiva: depois de contar a trajetória do movimento e de seus três principais artistas, a HQ apresenta uma pesquisa acadêmica que reuniu depoimentos e entrevistas de integrantes da Academia Roraimense de Letras sobre o imaginário e a cultura de Roraima.
Entre as questões utilizadas na pesquisa estava: Quem ou o que simboliza melhor a cultura de Roraima?
Em 2025, o jornalista Siddhartha Brasil desenvolveu, no Mestrado em Comunicação da Universidade Federal de Roraima — UFRR, uma pesquisa sobre o imaginário de Roraima a partir da visão de integrantes da Academia Roraimense de Letras. Referências obtidas na pesquisa foram posteriormente transformadas por Franco Soares no painel ilustrado apresentado nesta página.
A página utiliza esse painel como síntese visual da diversidade cultural apresentada ao longo da HQ: natureza, história, povos originários, manifestações populares, alimentação, paisagem, literatura, música e artes.
Leitura visual
A página é vertical, com fundo predominantemente branco.
No centro e ocupando a maior parte da composição há um grande painel colorido, repleto de personagens, paisagens, objetos e referências culturais de Roraima.
Acima do painel aparecem várias mãos realizando atividades artísticas: uma segura um pincel, outra sustenta um livro aberto, uma terceira escreve com uma caneta sobre papel, outra toca o braço de um violão e uma última utiliza uma lata de spray. Elas representam diferentes formas de criação e expressão.
Logo abaixo estão as caricaturas de Zeca Preto, Eliakin Rufino e Neuber Uchôa, integradas ao mosaico.
A composição reúne numerosas imagens.
Há construções históricas, manifestações populares, vegetação, buritizeiros, frutos, uma maloca indígena e uma fileira de indígenas em atividade coletiva.
Também aparecem uma grande formação rochosa (Pedra Pintada), animais, uma panela com peixe, pimentas e outros elementos da alimentação regional.
No centro inferior destaca-se um indígena com grande cocar azul (Makunaima), braços abertos e rosto voltado para cima. Sobre uma de suas mãos há três pessoas indígenas representando os povos originários, a outra, um homem montado a cavalo representando os pioneiros.
Ao redor aparecem objetos e símbolos variados, entre eles chapéus, elementos artesanais e cenas relacionadas à vida regional.
Na água, duas embarcações aparecem em lados opostos. Na parte inferior do painel, uma grande formação natural se prolonga em raízes (Monte Roraima), como se território, natureza e cultura estivessem conectados.
Fora do painel, na parte inferior da página, aparecem duas caricaturas maiores.
À esquerda está Siddhartha Brasil, sorrindo e segurando um objeto cilíndrico azul com o diploma de mestrado. Próximo a ele lê-se:
“Pesquisa: Siddhartha Brasil”
À direita está Franco Soares, também sorrindo, segurando uma caneta ou instrumento de desenho.
Próximo a ele:
“Arte: Franco Soares”
Um balão vindo de Franco explica o processo de criação do painel.
Na base, uma grande caixa de texto encerra a narrativa. À direita há um pequeno quadro com a palavra:
“FIM”
Na base estão o número da página, 25.
Descrição
A página transforma as referências relacionadas à pergunta "Quem ou o que simboliza melhor a cultura de Roraima?" em uma composição visual deliberadamente plural.
Não existe uma única resposta no painel.
Em vez disso, pessoas, paisagens, animais, construções, comidas, manifestações culturais, povos originários e diferentes expressões artísticas aparecem lado a lado.
As mãos posicionadas acima da composição reforçam essa ideia. Literatura, escrita, música, pintura e arte urbana são representadas como diferentes maneiras de interpretar e expressar o território.
No interior desse conjunto aparecem também os três artistas que conduziram a história da HQ, integrados agora a um universo cultural maior. Visualmente, eles deixam de ocupar o papel exclusivo de protagonistas e passam a fazer parte do próprio mosaico de referências de Roraima.
A figura indígena (Makunaima) com os braços abertos funciona como um dos principais eixos da composição. Em torno dela, cenas históricas, culturais e naturais parecem estabelecer relações entre passado e presente, território e sociedade.
Na parte inferior, Siddhartha Brasil representa a pesquisa que reuniu as referências, enquanto Franco Soares representa a transformação dessas respostas em linguagem visual.
O texto final explicita a proposta: o painel não procura definir Roraima por meio de um único símbolo, mas reunir elementos diversos capazes de revelar a riqueza cultural do estado.
Leitura dos textos
Na caixa superior esquerda:
“Em 2025, a pesquisa de Mestrado em Comunicação na UFRR, realizada pelo jornalista Siddhartha Brasil, investigou o imaginário de Roraima a partir da visão dos integrantes da Academia Roraimense de Letras.”
Em seguida, a pergunta:
“Uma pergunta:
Quem ou o que simboliza melhor a cultura de Roraima?”
Abaixo:
“As respostas revelaram um mosaico...”
No balão próximo a Franco Soares:
“Cada elemento do desenho nasceu das palavras dos imortais. Conectá-los em uma composição na qual dialogassem entre si foi o desafio.”
Identificação:
“Pesquisa:
Siddhartha Brasil”
“Arte:
Franco Soares”
Na caixa de encerramento:
“Esta reportagem se encerra com um painel que traduz em imagens aquilo que o Movimento Roraimeira vem construindo e difundindo há mais de quarenta anos: a identidade cultural de Roraima. Resultado da pesquisa de Siddhartha Brasil, reúne em uma única composição, os símbolos naturais, históricos, indígenas e artísticos que revelam a riqueza e a diversidade do povo roraimense.”
No quadro à direita:
“FIM”
Fim da página.
Curiosidades/Contexto Histórico
A presença da Academia Roraimense de Letras é particularmente significativa no encerramento. Ao reunir depoimentos e entrevistas de integrantes da Academia Roraimense de Letras sobre o imaginário de Roraima, a pesquisa registra diferentes percepções, memórias e referências simbólicas relacionadas à construção da identidade roraimense.
O termo “imortais”, utilizado na página, é tradicionalmente empregado para designar integrantes de academias de letras.
O painel também dialoga diretamente com a proposta do Movimento Roraimeira apresentada ao longo da HQ. Em ambos os casos, a identidade roraimense não é representada por um único elemento.
Ela surge da combinação entre paisagem, história, memória, povos originários, cultura popular, alimentação, música, literatura, artes visuais e experiências cotidianas.
Um mosaico, e não um único símbolo
Essa é uma chave importante para compreender a imagem.
A pergunta inicial poderia resultar na escolha de um monumento, uma paisagem ou um personagem como símbolo de Roraima. Entretanto, as respostas produziram um mosaico.
Visualmente, isso significa que nenhum elemento consegue representar sozinho toda a diversidade do estado.
O Monte Roraima e outras paisagens convivem com manifestações populares; os povos originários convivem com referências urbanas e históricas; alimentos aparecem ao lado de música, literatura, pintura e costumes regionais.
Assim, a própria diversidade torna-se parte da resposta à pergunta:
“Quem ou o que simboliza melhor a cultura de Roraima?”
O painel como fechamento da HQ
Há ainda uma característica narrativa interessante nesta página.
Ao longo da HQ, vários dos elementos presentes no grande painel apareceram separadamente: os povos originários, as paisagens, os rios, a alimentação regional, as manifestações culturais, a música, a literatura, a arte e os próprios integrantes do Roraimeira.
Na página 25, essas referências deixam de aparecer isoladamente e passam a ocupar uma única imagem.
Por isso, o painel funciona quase como uma síntese visual de toda a reportagem em quadrinhos.
A palavra “FIM” encerra a narrativa, mas a imagem deixa uma ideia aberta: Roraima não cabe em um único símbolo. Sua identidade é formada pelo encontro de muitas histórias, povos, paisagens, memórias e formas de expressão.
