Acessibilidade - Pág 24
Transcrição Textual da Audiodescrição:
Contexto
A página 24 funciona como uma grande celebração dos 40 anos do Movimento Roraimeira, retomando a narrativa de 1984 apresentada na página 22 e conduzindo-a até Boa Vista, em 2024
Se, em 1984, Zeca Preto, Neuber Uchôa e Eliakin Rufino deixavam Roraima para apresentar sua produção cultural a outros públicos, em 2024 a perspectiva se inverte: o povo roraimense ocupa o primeiro plano diante dos artistas.
A página celebra a trajetória construída ao longo dessas quatro décadas e destaca a relação entre o Movimento Roraimeira, o público e a identidade cultural de Roraima.
Leitura visual
A página é vertical e representa um grande espetáculo musical realizado à noite.
O fundo é predominantemente preto, atravessado por fachos de luz azulada que simulam refletores de palco.
No canto superior esquerdo, uma caixa branca informa:
“Boa Vista, 2024.”
Ao centro do fundo há um grande painel iluminado. Nele aparecem caricaturas de Eliakin Rufino, Neuber Uchôa e Zeca Preto, acompanhadas da indicação “40 Anos” e do nome Roraimeira.
No palco, os três artistas aparecem de corpo inteiro, usando roupas brancas.
À esquerda, Neuber Uchôa canta diante de um microfone enquanto toca violão. Ao centro, Eliakin Rufino canta diante de outro microfone. À direita, Zeca Preto também canta, com uma das mãos levantada em gesto de interpretação.
Nas laterais do palco aparecem os músicos acompanhantes. À esquerda, percussionistas tocam grandes tambores. À direita, outros instrumentistas participam da apresentação.
Notas e claves musicais em preto e branco espalham-se pela composição, reforçando visualmente a presença da música em toda a cena.
Na parte inferior, a plateia aparece de costas e ocupa todo o primeiro plano. As pessoas são representadas principalmente como silhuetas diante do palco, formando uma presença coletiva.
Entre o palco e a plateia, um grande balão branco contém o verso “Norte forte, macuxi Roraimeira”. Sua posição faz com que o balão não pareça pertencer exclusivamente aos artistas: ele ocupa visualmente o espaço compartilhado entre quem está no palco e quem está diante dele.
Diversas caixas brancas de texto estão distribuídas pela composição, conduzindo a narrativa dos acontecimentos de 1984 à celebração de 2024.
Na base está o número da página: 24.
Descrição
A composição estabelece uma ligação visual com a página 22, que representa o espetáculo realizado no Teatro Amazonas, em 1984.
Naquela cena, os três artistas aparecem de costas diante da plateia. Agora, quarenta anos depois, a perspectiva se inverte: o trio aparece de frente, enquanto o público roraimense ocupa o primeiro plano.
Essa inversão ajuda a construir o sentido da página. Os artistas que levaram referências culturais de Roraima a outros públicos agora aparecem diante do próprio povo que inspirou grande parte dessa produção artística.
Os fachos de luz convergem para o palco e reforçam o caráter comemorativo da cena. O grande painel com as caricaturas e a indicação dos 40 anos funciona como cenário e memória visual da trajetória do trio.
A presença dos músicos acompanhantes amplia a dimensão do espetáculo, enquanto notas e claves fazem a música atravessar graficamente toda a página.
Na parte inferior, o público não é individualizado. Visto principalmente de costas, transforma-se em uma presença coletiva: o povo de Roraima diante dos artistas.
O posicionamento do balão “Norte forte, macuxi Roraimeira” reforça essa aproximação. Colocado entre o palco e a plateia, ele sugere que o verso não parte apenas dos três artistas, mas é compartilhado pelo público, como um canto coletivo que une artistas e espectadores.
Assim, texto, imagem e posição do balão trabalham juntos para representar a relação construída entre o Roraimeira e seu público ao longo de quatro décadas.
Os textos finais ampliam a narrativa para além do espetáculo e apresentam uma reflexão sobre o legado cultural do Movimento Roraimeira.
Leitura dos textos
No alto:
“Boa Vista, 2024.”
À esquerda, os textos recordam a trajetória iniciada quatro décadas antes e relacionam o espetáculo de 2024 à celebração do Roraimeira e de sua identidade cultural.
À direita, outro texto destaca a presença do povo roraimense em primeiro plano, homenageando aqueles que contribuíram para a construção dessa identidade.
Entre o palco e a plateia, o grande balão reproduz:
“Norte forte
macuxi Roraimeira”
A posição do balão sugere que o verso é cantado coletivamente pelos artistas e pelo público.
Na parte inferior, os textos apresentam a trajetória do Roraimeira, mencionando os álbuns gravados em conjunto, apresentações realizadas no Brasil e no exterior e a permanência de seu legado cultural ao longo de quatro décadas.
A página encerra com uma reflexão sobre a contribuição do movimento para o reconhecimento e a valorização da identidade cultural roraimense.
Fim da página.
Curiosidades/Contexto Histórico
Quatro décadas de Roraimeira
Em 2024, o Movimento Roraimeira completou quatro décadas tomando como referência o encontro artístico de 1984. As comemorações reuniram novamente Zeca Preto, Neuber Uchôa e Eliakin Rufino, celebrando uma parceria artística construída ao longo de quarenta anos.
Nesse percurso, os artistas realizaram apresentações dentro e fora do Brasil e gravaram trabalhos em conjunto, contribuindo para levar referências culturais de Roraima a diferentes públicos.
O verso “Norte forte, macuxi Roraimeira”, destacado na página, reúne elementos recorrentes dessa produção: o Norte amazônico, referências culturais de Roraima e a própria palavra Roraimeira, que passou a identificar o movimento artístico protagonizado pelos três artistas.
De 1984 a 2024
As páginas 22 e 24 foram construídas visualmente para dialogarem entre si.
Na página 22, ambientada em 1984 no Teatro Amazonas, o leitor observa os três artistas de costas, diante da plateia.
Na página 24, ambientada em Boa Vista, em 2024, o ponto de vista se inverte. Os artistas aparecem de frente, enquanto o público roraimense é visto de costas e ocupa o primeiro plano.
Essa inversão é uma escolha narrativa e visual da HQ. Aqueles que saíram de Roraima para apresentar sua produção artística a outros públicos aparecem, quatro décadas depois, diante do próprio povo que inspirou grande parte de suas canções.
Um tributo ao povo de Roraima
A celebração dos 40 anos pode ser compreendida também como um tributo ao povo e à identidade cultural de Roraima.
Essa é uma síntese construída a partir dos depoimentos dos artistas, da trajetória do movimento e da percepção registrada em torno das comemorações dos 40 anos. Não se trata de uma citação literal atribuída aos três artistas, mas de uma interpretação editorial assumida pela narrativa da HQ.
Na composição da página, essa ideia ganha forma por meio da presença da plateia em primeiro plano. O público deixa de funcionar apenas como espectador do show e passa a representar coletivamente o povo de Roraima.
A página encerra, assim, o percurso iniciado quatro décadas antes: mais do que recordar uma trajetória musical, propõe uma reflexão sobre a relação construída entre arte, território, memória e identidade cultural.
