Roraimeira: Vozes, traços e cores - Página 14

Página sobre Eliakin Rufino como filósofo, professor, pesquisador, jornalista e compositor, com cenas de sua trajetória e destaque para a canção “Cidade do Campo”.

Acessibilidade - Pág 14

Transcrição Textual da Audiodescrição:

Contexto

A página 14 amplia a trajetória de Eliakin Rufino, apresentando diferentes áreas de sua atuação: filosofia, educação, pesquisa, jornalismo, ativismo cultural, música e composição.

A página destaca sua formação em Filosofia, os 30 anos dedicados ao ensino, a produção de artigos sobre temas relacionados a Roraima, sua pesquisa sobre a damurida e a atuação na imprensa, no rádio e na televisão. Também apresenta a canção “Cidade do Campo”, composta em parceria com Armando de Paula e vencedora do Festival do Centenário de Boa Vista, em 1990.

 

Leitura visual

A página é vertical e predominantemente ilustrada em preto, branco e tons de cinza, com aparência de desenhos feitos a lápis e nanquim. Apenas a caricatura de Eliakin, na parte inferior esquerda, recebe cores.

A composição é dividida em vários quadros.

No alto à esquerda, sob o título “Filósofo”, Eliakin aparece jovem, usando óculos e segurando um livro de Filosofia. Ao fundo, há um prédio de arquitetura histórica e várias pessoas.

Ao lado, sob o título “Professor”, Eliakin aparece em pé diante de uma turma, com uma das mãos levantada enquanto ministra uma aula. Os alunos são vistos de costas.

A faixa central é dedicada à atuação como “Pesquisador”. Em uma sequência de imagens, Eliakin participa do preparo e da degustação de uma damurida. Ele observa os ingredientes, experimenta o alimento e faz anotações. Panelas, peixe, tucupi e pimentas aparecem nas cenas. Ao fundo, uma folha traz o título “A Damurida: sabor, história e identidade de Roraima”.

Mais abaixo, à esquerda, está a seção “Jornalista / Ativista”. Eliakin aparece escrevendo diante de uma mesa, cercado por papéis e livros. Ao fundo, outras pessoas trabalham no mesmo ambiente.

À direita está a seção “Compositor / Cantor”. A imagem mostra uma mão escrevendo em uma folha com o título “Cidade do Campo”. Próximo ao papel há uma caneca.
Na parte inferior esquerda, uma caricatura colorida mostra Eliakin com cabelos grisalhos e crespos, óculos redondos e a mão apoiada no queixo, em expressão reflexiva. Atrás de sua cabeça há um círculo amarelo.

Um grande balão de fala ligado à caricatura ocupa a região inferior central.
À direita, uma caixa de texto apresenta informações sobre o Festival do Centenário e a importância de “Cidade do Campo”.

Ao centro do rodapé está o número da página: 14.

 

Descrição

A estrutura da página funciona como um painel da trajetória intelectual e artística de Eliakin Rufino. Cada quadro apresenta uma dimensão de sua atuação, relacionada à reflexão sobre Roraima, sua cultura, sociedade e identidade.
A formação em Filosofia aparece associada à posterior carreira como professor. A sala de aula representa os 30 anos dedicados ao ensino de Arte, História e Filosofia, período em que questões como identidade e pertencimento faziam parte dos assuntos abordados.
Na sequência sobre a damurida, Eliakin é apresentado como pesquisador da cultura regional. A repetição de sua figura em diferentes momentos cria uma pequena sequência narrativa: observar, experimentar, conhecer e registrar.
A atuação como jornalista e ativista apresenta outra dimensão desse trabalho. Eliakin aparece escrevendo, enquanto os textos informam sua participação por mais de uma década nos jornais de Boa Vista e sua atuação em programas de rádio e televisão.
No quadro dedicado à música, a folha manuscrita representa a criação de “Cidade do Campo”.
A página termina com Eliakin em posição reflexiva e uma frase que sintetiza sua postura diante da própria produção: mais do que integrar o Movimento Roraimeira, ele se apresenta como um “ativista da arte roraimeira”.

 

Leitura dos textos

No primeiro quadro:

“Filósofo”

“Em 1984, formou-se em Filosofia pela Universidade do Amazonas, período em que também consolidava sua carreira artística.”

No quadro seguinte:

“Professor”

“Durante 30 anos, deu aulas de Arte, História e Filosofia.”

Escrito no quadro:

“A semente do poeta Eliakin...”

No balão:

“IDENTIDADE, PERTENCIMENTO... ERAM ASSUNTOS ABORDADOS.”

Na sequência seguinte:

“Pesquisador”

Nos balões:

“PEIXE E PIMENTA...”

“TUCUPI E PIMENTA...”

“FOGO E PIMENTA...”

Ao fundo:

“A DAMURIDA: SABOR, HISTÓRIA E IDENTIDADE DE RORAIMA”

A legenda informa:

“Antes de a gastronomia regional ganhar projeção nacional, Eliakin escreveu um dos primeiros artigos sobre a damurida.”¹

E:

“Damurida — iguaria indígena típica de Roraima, preparada com peixe ou carne, tucupi e muita pimenta.”

Na seção seguinte:

“Jornalista / Ativista”

“Por mais de uma década, Eliakin publicou artigos de opinião nos jornais de Boa Vista, abordando garimpo, povos indígenas, identidade cultural e questões políticas e sociais de Roraima.”

“Também atuou no rádio e na TV², em programas dedicados à arte, à literatura e ao Movimento Roraimeira.”

Na seção à direita:

“Compositor / Cantor”

“Com letra de Eliakin e melodia de Armando de Paula, ‘Cidade do Campo’ venceu o Festival do Centenário de Boa Vista, promovido pela Prefeitura em 1990.”

Na folha aparecem o título “Cidade do Campo” e versos manuscritos da canção.

Na caixa inferior direita:

“A canção tornou-se uma das obras mais emblemáticas de Eliakin e uma referência da identidade cultural de Boa Vista e de Roraima.”

No grande balão ligado à caricatura de Eliakin:

“EU PODERIA TER SIDO APENAS MAIS UM ARTISTA DO MOVIMENTO RORAIMEIRA. ESCOLHI SER UM ATIVISTA DA ARTE RORAIMEIRA.”

No rodapé:

1. Artigo publicado no livro Alma do Norte (Eletronorte, 2005).

2. Programa “Roraimeira”, da TVE Macuxi, exibido em rede nacional em 1992.

Fim da página.

 

Curiosidades/Contexto Histórico

A atuação de Eliakin Rufino também alcançou a televisão. Em 1992, o programa “Roraimeira”, produzido pela TVE Macuxi, foi exibido em rede nacional, levando aspectos da produção artística e cultural de Roraima a um público mais amplo. O programa reunia música, literatura e outras referências culturais do estado.

Os próprios créditos do programa registram a participação do jornalista Galvão Soares como Diretor de Produção, enquanto a Direção Geral ficou a cargo de Jaber Xaud. O registro ajuda a documentar a participação dos profissionais da comunicação local na produção e difusão da cultura roraimense pela televisão.

Segundo Galvão Soares, “Roraimeira” foi o primeiro programa local de Roraima a ser exibido em rede nacional. A informação é apresentada aqui como relato do jornalista, que participou diretamente da produção.

A exibição nacional constitui um registro significativo para a memória do Movimento Roraimeira, ao demonstrar que, no início da década de 1990, sua produção cultural já encontrava espaço para circulação na televisão brasileira.

A presença de Galvão Soares e Jaber Xaud nos créditos preserva ainda uma dimensão importante dessa história: a contribuição de jornalistas, produtores, técnicos e demais profissionais da televisão que participaram do registro e da divulgação dessa produção artística.

 

Programa disponível no canal da Rádio e TV Universitária - RTV / UFRR