Acessibilidade - Pág 19
Transcrição Textual da Audiodescrição:
Contexto
A página 19 encerra o trecho dedicado à trajetória individual de Neuber Uchôa, destacando sua relação com o regionalismo, sua atuação para além da música e a importância da canção “Cruviana” em sua obra.
A narrativa parte de um encontro ocorrido em 1981 com a professora Maria das Dores Brasil, passa pela decisão de Neuber de cantar Roraima em suas composições e apresenta “Cruviana”, canção que o artista considera sua obra-prima e que se tornou objeto de pesquisas acadêmicas.
Leitura visual
A página é vertical e predominantemente ilustrada em preto, branco e tons de cinza, mantendo a estética de desenhos a lápis e nanquim. Apenas a caricatura de Neuber, no canto inferior esquerdo, aparece colorida sobre um círculo amarelo.
No alto à esquerda está o quadro intitulado “O Regionalismo”. Neuber aparece jovem, sentado com um violão no colo, conversando com a professora Maria das Dores Brasil. Ela gesticula enquanto fala, e Neuber responde.
À direita, sob o título “Imortal”, aparece um retrato de Neuber mais velho, usando óculos e sorrindo. O quadro apresenta sua participação na Academia Roraimense de Letras.
A região central é ocupada por diferentes representações de Neuber no palco. Ele aparece cantando e tocando violão em várias posições. Em uma das imagens, usa óculos escuros; em outra, maior, inclina a cabeça para trás enquanto segura o instrumento. A sequência transmite movimento e destaca sua presença como intérprete.
No canto inferior direito está a seção “Cruviana”. A ilustração mostra a Pedra Pintada em meio ao lavrado, cercada por vegetação rasteira, com cavalos diante da formação rochosa e um céu carregado de nuvens.
No canto inferior esquerdo, uma caricatura colorida mostra Neuber com cabelos cacheados e grisalhos, óculos de armação escura, bigode e barba branca. Ele sorri.
Um grande balão ligado à caricatura apresenta uma declaração do artista sobre “Cruviana” e o trabalho realizado na construção de seu refrão.
Na base da página aparece uma nota sobre a numeração do FEMUR e, ao centro, o número 19.
Descrição
A página começa apresentando um momento que Neuber Uchôa considera importante em sua trajetória artística.
Em 1981, a professora Maria das Dores Brasil conversa com o jovem músico sobre o regionalismo e a possibilidade de buscar na própria terra elementos para sua criação. Segundo o relato de Neuber, essa provocação contribuiu para que ele passasse a enxergar Roraima como fonte para sua arte.
O quadro “Imortal” apresenta outra dimensão de sua trajetória: sua participação na Academia Roraimense de Letras.
Na região central, a composição visual abandona a estrutura convencional dos quadrinhos e reúne Neuber em diferentes momentos no palco. As imagens ressaltam sua presença como cantor e instrumentista e acompanham o texto sobre uma linguagem musical mais pop, capaz de dialogar com a juventude e novos públicos sem abandonar referências regionais.
A seção final é dedicada a “Cruviana”. A paisagem do lavrado e a Pedra Pintada remetem ao universo cultural e natural associado à composição.
Neuber define “Cruviana” como sua obra-prima e chama atenção especialmente para os pronomes possessivos que dão início ao refrão, destacando que essa construção foi cuidadosamente trabalhada.
A página relaciona ainda a composição ao FEMUR realizado em 1991 e informa que “Cruviana” se tornou objeto de pesquisas acadêmicas.
Leitura dos textos
“O Regionalismo”
“Em 1981, Neuber conhece a professora Maria das Dores Brasil.”
No balão da professora:
“EXISTE OUTRO CAMINHO: O REGIONALISMO. A ARTE NASCE DA SUA TERRA.”
Neuber responde:
“ADOREI A IDEIA.”
Abaixo:
“Segundo Neuber, foi ela quem o provocou a enxergar Roraima como fonte de sua arte.”
“Essa provocação foi decisiva para que Neuber entendesse o regionalismo não como limite, mas como linguagem artística.”
No quadro à direita:
“Imortal”
“A contribuição de Neuber Uchôa vai além da música. Integrante da Academia Roraimense de Letras, ocupa a Cadeira nº 12.”
Na região central:
“Em 1984, com ‘Nossa Bossa’, Neuber canta Roraima pela primeira vez. Nunca mais parou.”
“Com uma linguagem mais pop, Neuber aproximou a música roraimense da juventude e de novos públicos, sem abrir mão de suas raízes.”
Na parte inferior:
“Cruviana”
No balão de Neuber:
“CRUVIANA É MINHA OBRA-PRIMA.
OS PRONOMES POSSESSIVOS QUE DÃO
INÍCIO AO REFRÃO...
AQUILO FOI TUDO TRABALHADO.”
Na caixa ao lado:
“Em 1991, Neuber inscreveu ‘Cruviana’ no FEMUR. Fora da fase classificatória, a canção ganhou força ao cantar Roraima e hoje é tema de pesquisas acadêmicas.”
No rodapé:
“O 4º FEMUR foi renumerado como 6º, considerando as edições realizadas desde 1974.”
Fim da página.
Curiosidades/Contexto Histórico
O regionalismo
O encontro de Neuber Uchôa com a professora Maria das Dores Brasil, em 1981, é apresentado nesta página a partir do relato do próprio artista, registrado em entrevista audiovisual realizada para a produção da HQ.
Segundo Neuber, essa conversa contribuiu para que ele passasse a enxergar Roraima e seus elementos culturais como matéria para sua produção artística. O regionalismo surgia, assim, não como uma limitação, mas como um caminho para construir uma linguagem artística a partir do território, das memórias e das experiências culturais de Roraima.
Em 1984, outro momento dessa trajetória aparece com “Nossa Bossa”. Segundo Neuber, a composição marcou sua decisão de cantar Roraima de maneira mais explícita em sua produção.
Além da música
A atuação de Neuber também alcançou outros campos da cultura. O artista tornou-se integrante da Academia Roraimense de Letras, dimensão de sua trajetória representada na página pelo título “Imortal”.
“Cruviana” e o FEMUR
Em 1991, Neuber inscreveu “Cruviana” no Festival de Música de Roraima. Segundo o próprio compositor, a canção ficou fora da fase classificatória.
A edição daquele ano possui uma particularidade histórica. O evento seria inicialmente considerado o 4º Festival de Música de Roraima, mas o Departamento de Cultura do Estado decidiu contabilizar também festivais realizados anteriormente, desde 1974. Com a nova contagem, aquela edição passou a ser denominada 6º FEMUR.
“Cruviana”: obra-prima, identidade e pertencimento
Na entrevista realizada para esta HQ, Neuber define “Cruviana” como sua obra-prima e destaca o trabalho realizado na construção da composição, especialmente nos pronomes possessivos que iniciam o refrão.
Em suas palavras:
“Cruviana... é, na minha opinião, minha obra-prima. Eu nunca fiz nada tão bem feito. Aquela verbalização toda. Os pronomes possessivos que dão início ao refrão todinho. Meu, minha, teu, tua... aquilo foi tudo trabalhado.”
Na HQ, a declaração foi condensada para adequação ao espaço do balão, preservando as palavras e o sentido do depoimento original.
A relação entre “Cruviana”, identidade e pertencimento também aparece em pesquisas acadêmicas dedicadas à produção poético-musical de Roraima. Estudos analisam a canção a partir de aspectos como identidade cultural, memória, pertencimento, linguagem e vocabulário regional.
A trajetória de “Cruviana” mostra, assim, como uma composição que ficou fora da fase classificatória de um festival ganhou importância muito além da competição, tornando-se uma das obras mais representativas da produção de Neuber Uchôa.
